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O ponto em que chegamos.
Ainda no meu tempo de estudante de jornalismo, fiz estágio no Sebrae. O chefe da assessoria, pessoa que tenho a maior admiração e que até hoje considero um grande amigo, me questionou a respeito dos meus projetos depois de formada. Eu não queria trabalhar com assessoria, e disse que odiava matérias policiais.
Ele me respondeu que desse jeito, eu não seria uma boa profissional, porque nós temos que estar abertos a todas as oportunidades. Depois de formada, só trabalhei com assessoria, e nunca me arrependi. Nesse ponto, meus conceitos mudaram, mas em relação às matérias policiais, não.
Hoje estou em outro segmento de comunicação. Me realizei profissionalmente, acho que sou uma das pessoas que estavam esperando as revoluções nas relações sociais acontecerem. Meu antigo professor, Fernando Firmino me dizia que eu adorava tecnologia da informação, só não sabia disso. Ele sempre esteve com a razão. Quero dar um outro passo, dessa vez acadêmico, e o intuito disso tudo é me afastar cada vez mais do jornalismo tido como ideal nos dias de hoje, e aqui na Paraíba.
Nossa imprensa se transformou num circo de horrores. Os heróis de hoje são semi-analfabetos, palhaços (no mau sentido da palavra) e covardes que se aproveitam do que há de mais vil na essência do ser humano. “Daqui a pouco você vai ver o cara tirar a roupa da menina, depois dos comerciais, não perca!”, “Veja com exclusividade o vídeo do estupro da adolescente de 13 anos”, “Você acha que a menina que foi estuprada e está grávida deve fazer um aborto? Eu acho que NÃO, e você?”, “Vamos fazer uma enquete aqui no rádio: você é contra ou a favor que a menina que foi estuprada faça um aborto?”, e por aí vai...
Estou envergonhada como profissional, como mulher, e como ser humano. Estou decepcionada em ter passado tanto tempo na faculdade e ser obrigada a chamar uns animais desses de colegas. Vocês não são meus colegas. Eu não tenho colegas que tratam os outros dessa forma. Pior é ver pessoas do mais alto gabarito profissional defendendo esse tipo de atitude como liberdade de expressão e direito à informação, desvirtuando totalmente o sentido da palavra censura e se comparando àqueles que, realmente, sofreram durante o período da ditadura.
Eu precisava fazer um desabafo, porque estou cansada de ficar repetindo essa ladainha via twitter e discutindo com algumas pessoas que, por algum motivo, consideram minha opinião “especial”. Alguns dos que debatem comigo eu realmente respeito e admiro, e fico extremamente magoada em vê-los defender algo totalmente indefensável.
Não foi assim que aprendi a fazer jornalismo.
2 comentários:
O MINISTÉRIO PÚBLICO SE CALOU, A JUSTIÇA SE CALOU. E AGORA O QUE FAZER? APELAR P TODOS JORNALISTAS TOMAREM A SUA INICIATIVA, BOA SORTE !
olhe mil desculpas......não li sua mensagem no nosso blog.......vá perdodando ok .....o casamento ja aconteceu !!! nos siga no nosso blog ok
bjs ......e no que precisar estamos a lhe ajudar...
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