Terça-feira, Setembro 15, 2009

Parabéns pra mim, que eu mereço!

Semana passada, minha Tia Maria me telefonou pra conversarmos amenidades. Das tias e tios que eu tenho, ela é a única que faz isso. Sempre liga pra saber como eu estou, como estão todos. Uma das coisas que ela me disse e que me marcou desde então, foi uma frase que eu esperei a vida inteira pra escutar: “Você merece tudo de bom que tem acontecido”. Depois disso, minha ficha caiu a respeito das conquistas que eu tenho alcançado de uns anos pra cá.

De repente eu olhei ao meu redor e me vi no meio de um apê bem bacana na praia de Tambaú, sentada num sofá com um bebê lindo, risonho e saudável nos meus braços. Vi também uma moça loira lendo o manual do candidato do PSS 2010. E vi um príncipe encantado preparando meu café da manhã. Coloquei o celular institucional pra carregar e esperar uma ligação da minha chefe e me dei conta que aquilo tudo era meu. O bebê, a moça loira, o príncipe encantado e a chefe. Sim, a chefe, porque um chefe quer dizer emprego. Um bom emprego.

Já disse isso outras vezes, mas passei por um momento na minha vida tão agoniado, que o simples fato de sonhar com algo melhor estava longe demais das minhas possibilidades. Depois do telefonema de Tia Maria, comecei a perceber que cheguei mais longe do que qualquer prognóstico que eu tenha feito.

E não estou falando em previsões financeiras, porque essas vêm e vão muito rápido, e não vale a pena se apegar a coisas materiais. Estou falando daqueles desejos secretos que as meninas da minha geração têm escondidos: casar, ter filhos e ser feliz. E fazem escondido porque parece que é pecado você querer ser feliz ao lado de alguem. Tem gente que diz que nenhum casamento é bom, que homem não presta, que fidelidade é algo que não existe e que só o dinheiro salva uma relação conjugal. Eu era assim, mas mesmo sendo assim, sonhava secretamente com o grande romance da minha vida, mesmo "sabendo" que ele nunca iria acontecer.

Pois ele aconteceu, e foi depois dele que eu abri os olhos ao que eu tinha de bom ao meu redor. Por causa dele eu sei que existem homens que prestam (muito poucos, mas existem), que fidelidade não é prisão nem martírio, que um casamento pode sim ser feliz e que dinheiro faz falta, mas não é o principal.

E mesmo que todos os ministros do mundo digam o contrário, meu diploma vale sim. Meus anos de faculdade não foram perdidos, nem os dias que assisti aulas sem jantar, nem as raivas que eu passei com aquela UEPB.

Hoje dou os parabéns a mim mesma. Pelos filhos que eu tenho, pelo meu emprego, por meu marido e pelos amigos que gostam de mim.

E mais uma vez agradeço minha Tia Maria por abrir meus olhos e me fazer reconhecer que o que tenho hoje é mérito meu.

Sexta-feira, Junho 26, 2009

E se foi o Michael

Quando eu era criança, tinha meus 5 ou 6 anos (minha memória é fantástica), uma das coisas que eu mais gostava de fazer com meu pai era ouvir música e dançar.
Gostávamos principalmente de "música alta", que significava música para dançar. Ouvíamos entre outras coisas os Beatles, e imagino que isso tenha definido o gosto musical que eu e eu irmãos temos até hoje.
Além dos Beatles, tinhamos um compacto do Micahel Jackson. Pra quem quem não sabe - e espero que você saiba - um compacto era um pequeno disco com uma só música de cada lado. Se você não sabe o que é um disco, então é melhor nem continuar lendo...
Pois bem, esse compacto do Michael Jackson tinha duas músicas e uma delas era Billie Jean, a outra realmente eu não lembro qual era, mas a questão é que Michael sempre fez parte da minha infância.
Lembro de ter assistido o clipe Thriller no Fantástico, e com um misto de horror e fascinação, decidi que aquela música faria parte das minhas melhores festas.

Quando Michael Jackson começou a deixar de ser ele mesmo, senti como se a minha própria infância estivesse acabando, e foi com Black&White que me despedi de vez do meu ídolo, pois foi a última coisa boa que ele fez antes de se desintegrar dentro da própria imagem e virar uma figura caricata e assustadora, um misto de vovozinha com lobo mau, definição que ouvi em algum lugar, mas que se tornou a melhor explicação daquilo que um dia, foi um rei.

Quarta-feira, Junho 17, 2009

O que está acontecendo com as mulheres?

Certa vez escrevi aqui a respeito do que chamo de neo-feminismo. Na primeira vez que usei esse termo, ainda era estagiária da Campina FM, e lembro que o editor de jornalismo de lá achou a minha tese muitíssima interessante, e me incentivou estudá-la e aperfeiçoá-la um pouco mais. Fora os descontentamentos mútuos com meu antigo chefe, deveria ter dado mais importância ao seu conselho.

Resumindo o conceito, diria que as neo-feministas são mulheres que continuam a lutar por seus direitos, mas ao contrário daquela “velha” turma, os homens não são mais nossos inimigos. Melhor que tentar matar um leão por dia sozinha e viver com essa carga de responsabilidade nas costas, é mais prático e rápido contar com certa ajuda. Hoje não classifico mais as pessoas entre homens x mulheres, e sim entre pessoas boas x más, inteligentes x idiotas, legais x insuportáveis, e dizendo isso, tiro parte da “culpa” masculina por todas as desgraças que se abatem sobre as mulheres e puxo pra nós um pouco desse encargo, e é justamente nesse ponto que eu quero chegar.

Ultimamente tenho ficado deveras envergonhada com os membros da minha irmandade. Eu sou filha de uma geração lutadora, de mulheres que finalmente decidiram que era hora de começar a agir e ir à luta. Mas parece que estamos retrocedendo e são justamente as filhas dessa geração que estão me matando de verrrrrgonha.

Não falo aqui de querer ser dona-de-casa (isso também, mas diante dos fatos, é o mínimo), de querer dar um tempo na carreira pra ser mãe, nem de tentar agradar o homem que chamam de seu. Agora o buraco é mais embaixo.

Tô vendo agora mulheres inteligentes, fortes, companheiras, com um futuro de infinitas possibilidades que de uma hora pra outra resolvem que mais importante que sua própria felicidade, é a felicidade dos homens, mesmo que eles não as queiram mais, mesmo que as humilhem, as traiam e joguem sua integridade na lixeira. Mais importante que viver a própria vida, é viver em função de alguém que não está minimamente interessado em fazer qualquer coisa que seja para agradar.

Ressalto mais uma vez que não estou levantando uma bandeira contra maridos e namorados. A maioria dos maridos e namorados que conheço ama de verdade sua companheira e seus relacionamentos são baseados naquilo que é essencial: lealdade e amor. Ser sem vergonha, mesquinho, egoísta e desprezível não é privilégio masculino, mas infelizmente, na atual conjuntura dos acontecimentos de 2009, foi dos homens o papel de carrasco. E foi uma escolha das mulheres fazer o papel de vítimas, sendo que basta uma única atitude pra virar a mesa e começar a viver a vida por suas próprias decisões.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Como é difícil ser mãe hoje em dia...

Os mais velhos contam, que no tempo deles, ter filho era a coisa mais natural do mundo. Já estava dentro do cronograma do casamento: casou, engravidou.

Também não tinha essa coisa de “casal grávido”. Grávida, só a mulher, e era só dela o ônus e o bônus de ter filho.

As mães pediam conselhos a quem estava perto: avó, sogra, irmã mais velha, tia e vizinha. Os trinta ou quarenta dias de resguardo eram cumpridos com rigor militar. Cheguei a ouvir histórias de mulheres que passavam esse período sem sequer poder sair do quarto.

O parto era natural, o bebê mamava no peito e as doenças se curavam com chás.

Criança não respondia os mais velhos, não batia no rosto dos pais e se comportavam na frente das visitas. Refrigerante? Só no fim de semana, a comida do dia-a-dia era feijão com arroz, e ai de quem deixasse alguma coisa no prato.

Psicologia Infantil era o nome que dava à chibata que ficava pendurada no torno da rede, e me parece que foram poucos os que se tornaram “adultos depressivos, ausentes e infelizes”.

Mas aí o mundo mudou.

As mulheres não quiseram mais que a maternidade fosse algo imposto. Gravidez era quando a faculdade terminasse, o mestrado se concluísse a promoção chegasse. E olhe lá! A outra metade do embrião era o mais difícil de se conseguir, a não ser que o pai fosse mera formalidade.

As crianças começaram a nascer por cesariana, porque é mais rápido, porque não dói, porque se pode programar e porque essa história de sentir dor pra parir é coisa da Idade Média. Amamentar ficou cansativo, inconveniente e desnecessário. E como amamentar trabalhando fora?

A TV virou a babá. Educação doméstica virou assunto pra escola resolver.

Respeito, rotina e diálogo viraram coisas obsoletas, porque ninguém tinha tempo de se sentar à mesa pra conversar e perguntar: Como foi seu dia?

Depois disso, mudaram as famílias.

Hoje, os casais ficam grávidos. As mulheres precisam escolher se têm filhos ou empregos. Amamentar voltou a moda, e agora é regra e lei que as crianças amamentem até quando bem entenderem. É moda também todo mundo dormir junto na mesma cama, mandando a intimidade e a sexualidade de mamãe e papai pra o espaço.

Bater, cuspir, puxar o cabelo e chutar pais e avós ficou tão comum que muitos acham até “bonitinho”, e dizem os psicólogos que não se deve castigar as crianças, pois elas podem virar adultos depressivos.

Onde está o bom senso? Será que ele simplesmente não existe mais?

Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Previsões que dão certo: isso só depende de você


No início do ano, fiz minhas próprias previsões quanto à 2008.
“Emagrecer, cortar o cabelo, arrumar emprego, quem sabe até engravidar...”
Quem lembra????

Consegui um emprego – na verdade três, mas termino o ano com apenas um, e mesmo assim com o contrato prestes a encerrar.
Cortei sim o cabelo – mas não do jeito que eu queria.
Emagreci muito pouco – os doces não conseguem mesmo sair de perto de mim!
E consegui engravidar – quanto a isso não existe objeção.

Alguém com um sentimento mais místico poderia dizer que foi o meu pensamento positivo e a minha força de vontade que fizeram com que os meus desejos se tornassem realidade.
Outro indivíduo mais prático, diria que foi tudo coincidência.

Eu prefiro dizer que tudo aconteceu porque eu QUIS que acontecesse. Eu lutei pra isso.
Mas tirando o fato de engravidar e ficar no aguardo do tão sonhado Rafael, o resto das coisas não tem nada de extraordinário.
Só que eu aprendi uma coisa nesse ano: se quiser realmente algo, faça também a sua parte.
Quer um bom emprego? Se profissionalize, estude, faça contatos, não tenha medo de pedir ajuda.
Quer um grande amor? Ame-se antes de tudo.
Quer que sua vida mude? Então faça sua vida mudar!
Não espere que as coisas aconteçam espontaneamente.
Não culpe os outros pelos seus fracassos.
Não ignore os maus sinais, nem dê espaço pra o azar.
Saiba até onde você agüenta, e estabeleça um limite. Às vezes a vida prática nos impede de realizar alguns projetos, mas nem por isso você deve se deixar abater.
Ganhar uma mega-sena é sorte, assim como não ser assaltado nessa cidade, ou conseguir “aquele” sapato numa liquidação de 70%. Desse modo, você pode ser sim um sortudo e nem se dar conta disso.

Meus desejos pra 2009?

Ter um parto normal tranqüilo, estudar muito enquanto Rafael deixar, ajudar Bruna a se sair bem no PSS, escrever mais que em 2008, emagrecer e cortar o cabelo.
Se eu chegar ao final do ano com essas metas alcançadas, podem ter certeza que outros projetos bem mais ambiciosos também irão se concretizar.

Faça sua lista, tenha em mente bons projetos e se concentre em trabalhar para alcançá-los.
Ter um bom ano depende mais das suas atitudes do que qualquer outra coisa.

Por isso meus amigos, desejo a todos que 2009 seja um ano cheio de desafios!

Sexta-feira, Dezembro 12, 2008

Querido Papai Noel


Querido Papai Noel, esse ano eu fui uma pessoa muito boa.
Economizei água, energia elétrica, combustível e usei muito papel reciclado.
Também fui uma mãe mais carinhosa e uma esposa mais prestativa e companheira.
Me fiz presente na vida dos meus amigos e dei uma força àqueles que precisavam de um ombro.
Minha casa foi morada dos desiludidos pela vida e pelos amores, e agora no fim do ano, vejo que eles estão bem e em paz.
Ajudei algumas pessoas necessitadas, tentei cuidar melhor das minhas plantas e finalmente reaprendi a rezar.
Parei de culpar a Deus pelos meus sofrimentos, e agora nós somos amigos de novo.

Papai Noel, eu sei que alguns dos presentes que eu pedi ano passado você já me deu.
Já tenho meu bebê a caminho e já tenho um emprego.
Tenho o amor e o companheirismo do meu amado Mau, e ainda temos aquela paixão do início do namoro.
Bruna estudou um pouco mais esse ano, e ficou de castigo menos vezes que em 2007. Além disso, cada dia que passa fica mais minha amiga.
Meus amigos também estão felizes na medida do possível. Cada um com sua batalha particular, mas com muita força de vontade e muita energia pra trabalhar, e isso é o mais importante.

Como eu dizia, já ganhei mais do que eu talvez mereça. Não tenho o direito e por isso mesmo só vou pedir uma coisinha pra mim. De qualquer forma, aí vai minha lista:

Queria que Caio parasse de adoecer a cada 15 dias;
Queria que Bruna finalmente se dignasse a praticar algum esporte do começo ao fim do ano;
Queria que Carol e Gabriel assumissem no TJ;
Queria que Patrícia entrasse no mercado de trabalho;
Queria que Clarinha e Bárbara aprendessem a falar “Tia Taty”;
Queria que Talitta voltasse a estudar;
Queria que Bia, Cristina e Lidinho soubessem que nada nesse mundo é tão importante quanto o amor que eles sentem um pelo outro. Queria que eles entendessem que a vida não é justa, mas é bonita. Queria que eles imaginassem que o mais importante nesse momento é saber que eles têm um ao outro, e nada disso vai mudar, aconteça o que acontecer.
E principalmente Papai Noel, queria muito mesmo que a minha amiga ficasse boa logo, porque eu preciso muito da presença dela e esse é o único desejo que eu peço pra mim.


Obrigado Papai Noel, você nunca me decepcionou, e é por isso que eu continuo acreditando em você.

Beijos,

Tatynha

Terça-feira, Novembro 04, 2008

Sempre foi difícil ser jornalista

Esse é Vladimir Herzog, um dos jornalistas que por coincidência "se enforcou" na prisão



Eu sou jornalista. Meu marido é jornalista. Três tios dele são jornalistas e o avô dele também foi jornalista.
É capaz que Rafael também seja, mas deixa pra ele escolher.
A questão aqui é outra.
Se pegarmos só a família do meu amado Mau, são 3 gerações distintas de uma mesma profissão.
Na época que o Sr. Josimar Moreira de Melo era editor do jornal Última Hora corria os anos 60, início da ditadura militar no Brasil. Sr. Josimar era um jornalista influente e engajado. Morreu “atropelado”. Tinha pouco mais de 30 anos de idade e deixou a esposa com 4 filhos pequenos pra criar.
Quando foi a vez dos seus filhos homens (minha sogra é antropóloga) seguirem uma profissão, trilharam o caminho do pai. Na época deles, a ditadura tava correndo solta, e o pau comendo em cima dos jornalistas. Todos foram presos.
Maurício é o neto mais velho. Ele nem queria ser jornalista, queria ser publicitário. Mas dizem alguns entendidos que vocação é o tipo da coisa que acompanha as gerações. Ele começou o curso, gostou e hoje em dia é um dos melhores jornalistas da Paraíba. Eu também o considero o melhor marido, o melhor pai e o melhor amigo que alguém pode ter, mas isso é opinião de uma esposa apaixonada. Há quem o considere um ótimo jornalista e não é casado com ele, nem é apaixonado por ele, e nem mesmo é amigo dele.

Os mais céticos diriam que o tempo hoje é diferente pra quem é jornalista sério e engajado.
Eu diria que hoje também é difícil pra nossa classe seguir uma linha mínima de honestidade e ética.
Desde o fim das eleições, vivemos aqui em João Pessoa um verdadeiro vendaval de violência. Alguns profissionais de algumas empresas se queixam dos absurdos e dos abusos faz tempo. Ontem, um oficial da PM disse na TV que a culpa da onda de assaltos que ocorre atualmente é do próprio cidadão. A entrevista foi ao ar numa emissora na qual trabalha um radialista conhecido por fazer críticas à segurança no Estado. Hoje de manhã esse mesmo radialista foi assaltado dentro de casa. Uma operação bem arquitetada que rendeu medo, uma arma apontada na cabeça de uma criança de dois anos, algumas quinquilharias eletrodomésticas, dois mil reais em dinheiro e um carro que logo depois foi abandonado.
Don Corleone, mestre em dar conselhos úteis como, por exemplo, “Mantenha seus amigos perto, e seus inimigos ainda mais perto”, disse no primeiro filme da série O Poderoso Chefão que era um homem muito supersticioso. Portanto, caso seu filho Mike sofresse algum assalto, alguma queda, ou se um raio caísse do céu na sua cabeça, ele não iria acreditar na coincidência do inesperado. Pra bom entendedor, isso já basta.

Mas voltando ao início. Com o fim da ditadura no Brasil, era de se supor que casos como o do Sr. Josimar fossem apenas parte da História recente do Brasil.

E eu como jornalista, como esposa apaixonada de um jornalista e como fã incondicional do velho Corleone, também não irei acreditar em coincidências.



* Não deixe de clicar na frase sublinhada.