Semana passada, minha Tia Maria me telefonou pra conversarmos amenidades. Das tias e tios que eu tenho, ela é a única que faz isso. Sempre liga pra saber como eu estou, como estão todos. Uma das coisas que ela me disse e que me marcou desde então, foi uma frase que eu esperei a vida inteira pra escutar: “Você merece tudo de bom que tem acontecido”. Depois disso, minha ficha caiu a respeito das conquistas que eu tenho alcançado de uns anos pra cá.
De repente eu olhei ao meu redor e me vi no meio de um apê bem bacana na praia de Tambaú, sentada num sofá com um bebê lindo, risonho e saudável nos meus braços. Vi também uma moça loira lendo o manual do candidato do PSS 2010. E vi um príncipe encantado preparando meu café da manhã. Coloquei o celular institucional pra carregar e esperar uma ligação da minha chefe e me dei conta que aquilo tudo era meu. O bebê, a moça loira, o príncipe encantado e a chefe. Sim, a chefe, porque um chefe quer dizer emprego. Um bom emprego.
Já disse isso outras vezes, mas passei por um momento na minha vida tão agoniado, que o simples fato de sonhar com algo melhor estava longe demais das minhas possibilidades. Depois do telefonema de Tia Maria, comecei a perceber que cheguei mais longe do que qualquer prognóstico que eu tenha feito.
E não estou falando em previsões financeiras, porque essas vêm e vão muito rápido, e não vale a pena se apegar a coisas materiais. Estou falando daqueles desejos secretos que as meninas da minha geração têm escondidos: casar, ter filhos e ser feliz. E fazem escondido porque parece que é pecado você querer ser feliz ao lado de alguem. Tem gente que diz que nenhum casamento é bom, que homem não presta, que fidelidade é algo que não existe e que só o dinheiro salva uma relação conjugal. Eu era assim, mas mesmo sendo assim, sonhava secretamente com o grande romance da minha vida, mesmo "sabendo" que ele nunca iria acontecer.
Pois ele aconteceu, e foi depois dele que eu abri os olhos ao que eu tinha de bom ao meu redor. Por causa dele eu sei que existem homens que prestam (muito poucos, mas existem), que fidelidade não é prisão nem martírio, que um casamento pode sim ser feliz e que dinheiro faz falta, mas não é o principal.
E mesmo que todos os ministros do mundo digam o contrário, meu diploma vale sim. Meus anos de faculdade não foram perdidos, nem os dias que assisti aulas sem jantar, nem as raivas que eu passei com aquela UEPB.
Hoje dou os parabéns a mim mesma. Pelos filhos que eu tenho, pelo meu emprego, por meu marido e pelos amigos que gostam de mim.
E mais uma vez agradeço minha Tia Maria por abrir meus olhos e me fazer reconhecer que o que tenho hoje é mérito meu.


