Sexta-feira, Outubro 21, 2011

O ponto em que chegamos.

Ainda no meu tempo de estudante de jornalismo, fiz estágio no Sebrae. O chefe da assessoria, pessoa que tenho a maior admiração e que até hoje considero um grande amigo, me questionou a respeito dos meus projetos depois de formada. Eu não queria trabalhar com assessoria, e disse que odiava matérias policiais.
Ele me respondeu que desse jeito, eu não seria uma boa profissional, porque nós temos que estar abertos a todas as oportunidades. Depois de formada, só trabalhei com assessoria, e nunca me arrependi. Nesse ponto, meus conceitos mudaram, mas em relação às matérias policiais, não.

Hoje estou em outro segmento de comunicação. Me realizei profissionalmente, acho que sou uma das pessoas que estavam esperando as revoluções nas relações sociais acontecerem. Meu antigo professor, Fernando Firmino me dizia que eu adorava tecnologia da informação, só não sabia disso. Ele sempre esteve com a razão. Quero dar um outro passo, dessa vez acadêmico, e o intuito disso tudo é me afastar cada vez mais do jornalismo tido como ideal nos dias de hoje, e aqui na Paraíba.

Nossa imprensa se transformou num circo de horrores. Os heróis de hoje são semi-analfabetos, palhaços (no mau sentido da palavra) e covardes que se aproveitam do que há de mais vil na essência do ser humano. “Daqui a pouco você vai ver o cara tirar a roupa da menina, depois dos comerciais, não perca!”, “Veja com exclusividade o vídeo do estupro da adolescente de 13 anos”, “Você acha que a menina que foi estuprada e está grávida deve fazer um aborto? Eu acho que NÃO, e você?”, “Vamos fazer uma enquete aqui no rádio: você é contra ou a favor que a menina que foi estuprada faça um aborto?”, e por aí vai...

Estou envergonhada como profissional, como mulher, e como ser humano. Estou decepcionada em ter passado tanto tempo na faculdade e ser obrigada a chamar uns animais desses de colegas. Vocês não são meus colegas. Eu não tenho colegas que tratam os outros dessa forma. Pior é ver pessoas do mais alto gabarito profissional defendendo esse tipo de atitude como liberdade de expressão e direito à informação, desvirtuando totalmente o sentido da palavra censura e se comparando àqueles que, realmente, sofreram durante o período da ditadura.

Eu precisava fazer um desabafo, porque estou cansada de ficar repetindo essa ladainha via twitter e discutindo com algumas pessoas que, por algum motivo, consideram minha opinião “especial”. Alguns dos que debatem comigo eu realmente respeito e admiro, e fico extremamente magoada em vê-los defender algo totalmente indefensável.

Não foi assim que aprendi a fazer jornalismo.

Quinta-feira, Setembro 29, 2011

Elas


Começa com aquele velho papo furado:

- Conta as novas!

- Ah, tudo na mesma...

Mas aí as cervejas vão se acumulando, as caipiroskas vão ficando cada vez mais doces e os problemas começam a aparecer. Sim, porque essa história de vida perfeita não existe.

Começam as acusações, as lembranças.

Primeiro é a gargalhada. Depois o choro. E é sempre Raissa que começa a chorar. Mas também é ela que começa a rir.

Carol gosta de me dar conselhos. É a irmã mais velha que eu nunca tive. Sim, ela é mais nova na idade, mas que isso importa? Ela sempre teve mais juízo.

Patrícia é nosso chaveirinho. Foi a última em tudo. Tudo mesmo. Inclusive foi a última de nós a casar.

Estamos num outro plano. Filhos, carreira, marido... Mas nosso momento ainda não passou, e nunca vai passar. Porque cada uma de nós tem seu amor, seu companheiro. Porque cada uma de nós agora tem seu próprio círculo. Porque cada uma de nós é a abelha rainha da sua própria colméia.

Mas dependemos umas das outras para partilhar aquele segredo, aquele dia especial, aquela aventura fantástica, aquela reclamação fodástica e aquilo tudo que não pode – e nem deve – ser partilhado com mais ninguém no mundo.

Continuo amando muito vocês e ninguém, ninguém mesmo vai roubar seus lugares como as melhores amigas do mundo.

Segunda-feira, Setembro 05, 2011

Um pingo de pena

Minha relação com a classe médica é melindrosa. Pra começo de conversa já fui maltratada e insultada por alguns deles. Isso é um ponto. Outro ponto é que, mesmo não sendo da área, passei dois anos fazendo assessoria da Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa. Período bacana. Não que eu odeie os médicos, mas quando li esse texto aqui quase, eu disse quase fiquei com peninha deles.

Olha só, pior que médicos, vivem professores. Esses sim ganham muito pouco e trabalham em condições realmente insalubres. Não quero dizer com isso que os médicos mereçam ganhar pouco, nada disso. Mas dizer que é uma classe que “merece” mais que as outras, é um absurdo sem tamanho. Meus amigos médicos que reclamam de ganhar 3 mil por 20h semanais, procurem saber quanto ganha um professor pra trabalhar pelo mesmo período. Recebendo ameaças, sendo agredidos verbalmente e fisicamente por alunos e pais. Dando aula com um giz e um quadro negro.

Como respeitar uma categoria que decide que você deve ter um parto cesariano apenas por comodidade? Sim, porque obstetra que se preza e que preza sua paciente SABE que, dentro das condições consideradas saudáveis e aceitáveis, um parto normal é melhor para a mãe e para o bebê, e sabe que a vantagem da cesariana é uma via de mão única.

Como respeitar uma categoria que atende um paciente sem nem ao menos olhar pra pessoa? Sim, porque clínico que se preza e preza seu paciente aperta a mão, olha no olho, observa o geral, examina o corpo, conversa.

Como respeitar um pediatra que prescreve um antibiótico fortíssimo para uma criança apenas pra ganhar pontos com a empresa revendedora? Sim, porque um pediatra que se preze, antes de prescrever qualquer medicamento, examina, faz perguntas, quer saber até o que a criança comeu e analisa a real necessidade de um antibiótico numa criança que está apenas com um resfriado.

Não, não inventei nada disso. Foram histórias reais acontecidas comigo e com amigos meus. Todas na rede particular. Ninguém quer tratamento VIP, quer tratamento digno e respeitoso. Concordo que TODAS as categorias merecem ser reconhecidas, merecem um salário digno, merecem condições de trabalho adequadas, não só a classe médica.


P.S 1: Não sou professora, sou jornalista.
P.S 2: Tenho amigos e conheço médicos que são comprometidos com a profissão e com a população, mas infelizmente, são a minoria.

Terça-feira, Julho 26, 2011

Dia da Avó

Triste a criança que cresce longe delas. Minha infância é recheada de histórias que envolvem muito carinho, paparico, comidas gostosas, histórias engraçadas.

Vovó Orita morava no bairro do Alto Branco. Eu tinha uns seis, sete anos. Não tínhamos carro e subíamos a Av. Manoel Tavares a pé nos dias de domingo. No caminho, ia catando flores para minha Vó. Chegávamos suados e eu e meu irmão íamos tomar banho no tonel de água gelada que ficava no quintal, e posso até sentir o cheiro do sabão de côco.

Vovó Sinhá era minha Vó jovem. Ainda é, visto que tem cerca de 70 anos e já tem muitos bisnetos (faça suas contas). Já um pouco mais velha, com 12 ou 13 anos, saímos para passear na traseira da D-20. Foi com Vó Sinhá que aprendi que uma simples pamonha, ou uma galinha de capoeira podem ser as iguarias mais deliciosas que alguém pode ter a honra de provar.

Tia Carmelita é irmã da minha Vó Sinhá. Uma grande injustiça, e talvez uma falta de senso momentânea tirou de Tia Carmelita o status de avó. Mas ela era, sempre foi. Um dos passeios mais deliciosos que fazia na minha infância era acompanhar Tia Carmelita na Feira Central de Campina Grande no sábado de manhã. Ela conhecia praticamente todo mundo. Fazíamos as compras da casa e no final sempre tinha um belo copo de refresco de maracujá ou de côco acompanhado com pão doce.

Na casa de Tia Carmelita, havia um grande quintal cheio de árvores. Pés de abacate, goiaba, graviola, que eu subia com a desenvoltura de Chico, um macaquinho da vizinha que vez por outra vinha roubar frutas. Com Tia Carmelita moravam minha bisavó Maria e meu bisavô Felipe, lembre deles aqui.

Se hoje posso ser considerada uma menina mimada, foi tudo culpa de Tia Carmelita, que me tratava com todos os mimos e caprichos que a condição financeira da época permitia. Ela sempre me considerou uma princesa e talvez tenha vindo daí o que considero chamar de auto confiança.

Perdi meus bisavós ainda criança e lembro da enorme tristeza que senti, e ainda sinto. Mas não estou preparada para perder nenhuma das minhas avós (nem avôs, mas o dia é delas), mas faz parte do ciclo natural das coisas, e de ciclos da vida que são atropelados eu já tive minha cota.

Quisera Deus que todas as crianças pudessem aproveitar os conselhos, os beijos e os abraços, a comidinha gostosa e imensa sensação de tranqüilidade que só pode ser proporcionada por quem tem por única tarefa, fazer feliz a vida dos netos.

Feliz dia da Avó.

*Feliz aniversário para Vovó Cristina. A pessoa que mais esperou para ser avó no mundo.

Sexta-feira, Julho 01, 2011

Comunicado

A partir deste momento, 19 horas e 16 minutos do dia 1º de julho de 2011, não irei mais utilizar nenhuma das minhas redes sociais para citar de forma negativa nenhum portal de notícias (ou algo que o valha) da Paraíba.

Mesmo que eles mintam, omitam, roubem fotos e matérias de outros portais, humilhem minorias, ovacionem a violência, promovam a desgraça humana e postem fotos de bebês deformados na capa.

Se por acaso, em algum momento eu volte a praticar esse comportamento, rogo aos amigos que me chamem a atenção.

Obrigado.

Segunda-feira, Abril 25, 2011

Na minha humilde opinião...

Lembro que o auge do São João de Campina Grande foi na década de oitenta... Sim, sou mais velha do que aparento, e não, não vivenciei esse período de forma sistemática. Mas eu lembro que em meados de 85, 86, Campina Grande realmente pegava fogo no mês de junho.

Foi bem na época dos grandes shows, dos grandes artistas e da maior efervescência que o Parque do Povo viveu. Naquela época, ao contrário do que acontece de alguns anos pra cá, vinha gente de todo canto! Quadrilhas juninas recebiam os turistas que chegavam na rodoviária e no aeroporto com apresentações a cada hora!

No Parque do Povo reinavam Jorge de Altinho, Elba Ramalho, Assizão, Alcimar Monteiro, Capilé, Zé Ramalho, Fagner, Biliu de Campina, Nando Cordel, e tantos outros que certamente reinaram, mas que não vou conseguir fazer a justa homenagem.

E as atrações nacionais? Aquelas que reuniam milhares de pessoas?

Essas eram trazidas pela iniciativa privada. Cantavam no Forrock, no Spazzio, no Vale do Jatobá... Ninguém engolia ninguém. E era uma maravilha... Lembro dos meus pais e meus tios (os adultos) se arrumando e programando quais atrações eram mais interessantes, incluindo as matinês,com Lulu Santos, Paralamas do Sucesso e A Cor do Som (minha memória é fantástica!). Captaram o que quis dizer?

Pelo que eu entendi nada está sendo proibido. Qual o problema em se firmar uma parceria com a iniciativa privada e ela banque essas bandas de plás..., ops, de mer..., ops, de qualquer coisa? Porque não restringir essa possibilidade às casas de show?

Era assim que funcionava antes e naquela época deu certo... Enfim...

Como diz o ditado, gosto não se discute.

Mas na minha humilde opinião, o São João daquela época foi infinitamente melhor.

Sexta-feira, Março 11, 2011

Essa é pra quem gosta de carnaval

Acompanhei pela internet o bafafá midiático que nossa repórter promoveu antes e depois do carnaval. Não, não vou citar o nome dela, nem vou linkar qualquer menção ao caso. Não vou ajudar a promover algo que eu mesma julgo que já passou do ponto.

É preciso esclarecer que sou a favor da liberdade de expressão. Temos que aproveitar quando nossos editores e anunciantes (e não o governo, como querem crer alguns) nos deixam trabalhar e divulgar qualquer tipo de informação. Mas tem uma hora que a exposição exagerada de um mesmo assunto, ou de uma mesma pessoa, enche o saco. Portanto, vou me atrever a usar o meu direito de livre expressão, rebatendo um a um os motivos de considerar o Carnaval, uma festa diabólica:

1. Realmente o carnaval não é uma festa genuinamente brasileira. Assim como não são genuinamente brasileiras nenhuma das festas que são comemoradas aqui. Não existe festa genuinamente brasileira porque o Brasil é um país formado pela junção de inúmeras culturas e cada uma delas trouxe sua contribuição, e por ter pouco mais de 500 anos de história, ainda não construiu, nem sei se irá construir, um patrimônio cultural próprio, sem intervenções estrangeiras.

2. Na fazenda Campos, município de Olivedos, lá no cariri paraibano, todo ano se comemora uma grande festa na beira do açude. Esse ano a festa certamente foi mais animada porque o açude sangrou. Lá não tem trio elétrico, abadá, vendedor de cerveja e Camarote da Devassa. Agora vá dizer a Zé de Birra, morador da fazenda, que o carnaval não é uma festa popular.

3. A boa música brasileira se perdeu faz tempo. E se for para se indignar com letras escatológicas e machistas, é bom começar pelas bandas de forró de plástico, que tocam durante o ano todo e lotam as casas de show de todo o país. E em relação ao duplo sentido das músicas carnavalescas, isso também é parte da cultura momesca desde o início da música popular brasileira. E assim como saúde, educação e segurança, cultura deve ser sim prioridade do governo.

4. Jovens fazem sexo sem responsabilidade durante o ano todo, e isso é questão de educação e saúde pública. O aborto é um assunto sério que não merece se enquadrar numa discussão tão tola. Ambulância não deve ser aparelho médico, e sim de suporte e transporte. Os acidentes causados por embriaguez também não são privilégio do carnaval e sim da má educação e da falta de consciência do que é coletivo.

5. E encerrando minha réplica, comecei a trabalhar dia 3 de janeiro, portanto o ano começou pra mim já faz tempo.

Como eu disse, respeito o direito de cada um de nós de se expressar, mas acredito que algumas discussões padecem de uma certa lógica. Tenho a impressão de que algumas pessoas sentem a enorme necessidade de se firmar e nada melhor do que ser do contra. Se o questionamento fosse voltado para a inversão dos valores que a atual música popular prega em relação às mulheres, tenho certeza que o assunto seria muito melhor debatido.

Trabalho muito, dou um duro danado pra pagar minhas contas e sim, como ser pensante que crê no intelecto como arma capaz de remover montanhas, acredito que usar quatro dias do ano para rir,cantar,dançar e usar uma fantasia seja uma forma de comemorar o direito de esquecer momentaneamente do que há de tão asqueroso no mundo.

O Carnaval não é o problema. O problema é a imensa lista de desculpas que usamos para justificar nossa insanidade diária.


*Passei o carnaval descansando, mas não trocaria esse feriado por nada.